wasil sacharuk - poeta gaúcho

Wasil Sacharuk (1967–2026)

Wasil Sacharuk nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, cidade que o viu crescer, criar e se tornar uma voz singular da poesia contemporânea. Poeta, performador de spoken word e facilitador de oficinas literárias, construiu uma obra que recusa o refúgio da lírica ornamental para se instalar num território de linguagem crua, visceral, sem anestesia.

Sacharuk dedicou-se à facilitação de oficinas de produção textual literária e de escrita criativa, com foco no desenvolvimento do interesse pela produção textual e na troca de experiências entre escritores amadores. Atuou como multiplicador cultural na sua região, incentivando novos autores e promovendo o contato direto entre a poesia e o público — atividade que alinhou com sua convicção de que a palavra poética precisa ser não apenas lida, mas vivida em voz alta.

Publicou ao longo de sua trajetória os seguintes títulos:

Uma Outra Gnose
Sete Sinas
Catilinárias I
Catilinárias II
Da Janela Virtual, com Decimar Biagini
Escorpião – versos autobiográficos


Sua obra escrita abrange poesia, prosa poética, crônica e conto — gêneros que transitaram com fluidez em sua produção, sempre marcados pela mesma densidade expressiva.

Foi na performance oral que Sacharuk encontrou sua forma mais potente de expressão. Seu canal no YouTube, SACHARUK poesia falada, reúne dezenas de vídeos de spoken word — performances em que o poeta entrega cada verso com intensidade interpretativa, transformando o poema escrito em experiência sensorial.

Sacharuk também interpretou poemas de outros autores, como Rogério Germani, Lino d'Acácia, demonstrando que sua relação com a palavra transcendia a autoria: ele era também um intérprete, um canal entre o texto e o ouvinte.

A obra de Sacharuk é marcada por uma linguagem brutal e sem ornamento. Seu vocabulário poético convoca sangue, gesso, mármore, ferro, sal e vísceras — materiais que evocam tanto a materialidade do corpo quanto a dureza da existência. Entre os temas centrais da sua produção, destacam-se:
A morte — não como abstração filosófica, mas como exercício de lucidez cruel e aceitação estoica; um confronto honesto com a finitude
O amor — descrito com intervenções profundas e por vezes violentas, marcado pela tensão permanente entre posse e liberdade
A espiritualidade — Sacharuk recusou a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica, ligada à terra, ao instinto e à experiência direta do sagrado

Sua poesia não busca conforto. Confronta. Incendeia. Como descreve uma das apresentações de spoken word: "Wasil Sacharuk surge não apenas como som, mas como uma incisão necessária."

Wasil Sacharuk deixou um acervo poético que desafia o leitor a abandonar o conforto e a enfrentar a palavra em seu estado mais bruto. Sua obra — entre o escrito, o falado e o performado — permanece como testemunho de um poeta que escolheu a honestidade da crueza em vez da beleza do enfeite. Tributos como o vídeo "O Amigo Wasil Sacharuk" (2011), produzido por contemporâneos que reconheceram sua grandeza antes mesmo da consagração ampla, atestam o impacto de sua presença no meio literário sul-brasileiro.

Sacharuk escreveu, falou e respirou poesia. E onde doía, nasceu ritmo.