flor cheirosa

 flor cheirosa


move-se crua
ao distante oriente
guardiã dos absurdos
resplandecente
ao colo da lua

exibe-se nua
revela o risco
que parte do umbigo
ao encontro da rosa
bipartidas pétalas
jardim tão bonito
da flor cheirosa

a noite secreta
tranquila sussurra
salpica-lhe os cabelos
com brilhos perdidos
de estrelas antigas

em desvelos
mergulha ao perigo
no oásis da sede
calado de um porto

e suas costas ao sol
bebem raios ansiosos
que queimam-lhe o corpo

wasil sacharuk