SACHARUK - MALVA PAPOILA
Sacharuk conduz o espectador por uma jornada sensorial onde a palavra falada se torna corpo, engrenagem e abismo. Através de uma performance visceral, Sacharuk explora as fronteiras do desejo e a busca pelo "avesso" genuíno do ser. O poeta entrega uma sequência de textos que transcendem a simples leitura, transformando a palavra falada em uma experiência tátil e emocional. Com uma voz que oscila entre a precisão mecânica e a vulnerabilidade absoluta, Sacharuk convida o público a explorar o que existe sob a pele e além das máscaras sociais.
A sequência performática inicia com uma metáfora industrial do amor ("amor mecânico", "coroa dentada"), evoluindo para uma entrega quase mística e geográfica ("costa da laguna", "Netuno"). O poeta transita entre a agressividade da posse e a delicadeza da descoberta, culminando na reflexão sobre o "avesso" — um lugar sem gênero ou cor, onde a identidade se funde com o outro.
"Crepúsculo da tua vontade posso ser engrenagem, encaixe insistente, coroa dentada, amor mecânico."
"O meu avesso tem tons desconexos. Mas não tem gênero, não tem cor nem sexo."
"Provar a tua pele na língua portuguesa."
É um convite para refletir sobre nossas fragilidades, nossos medos e a beleza de se perder no traçado das quimeras. A poesia aqui é viva, pulsante e, acima de tudo, honesta.
Vale assistir para entender como o spoken word pode ser uma ferramenta de autoconhecimento e conexão. Wasil Sacharuk não oferece apenas versos; ele oferece um espelho para o nosso próprio avesso.
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