Mostrando postagens com marcador MALVA PAPOILA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MALVA PAPOILA. Mostrar todas as postagens

nenúfar

  nenúfar

se te fazes -morena- tão ninfácea - és nenúfar que se destaca doutros nenúfares do azul jardim - se te quero possuir e espero que sim - escalo montanhas alucino nas curvas em  total sincronismo entre a estrada e o fio do abismo
empresta tuas águas às enxurradas sob o olhar de Jaci a agarrar o firmamento - espero o momento de beijar-te morena  - teus lábios rosados ao pordossol ciumento

wasil sacharuk














malva papoila

 malva papoila


circunda leve 
a tromba-língua
ao botão da flor 
delicada

pétalas afastadas
e nos grãos
 falsos dentes 
falsos dedos
livres desvelos 
ao entorno

malva papoila
bailarina tão louca
e o poeta borboleta 
guarda na boca 
seu néctar

wasil sacharuk






costa da laguna

costa da laguna


vem mulher anda comigo
          pela costa da laguna
     onde o amor faz abrigo
e Netuno faz a Lua
brotar na tua cabeça

espia a tristeza na rua
e meu mergulho inusitado
lê meu poema encantado
 antes que me esqueças
            vê nas frestas da janela
            que essa noite espera
            que sejamos amantes

o caminho tão distante
        vou cego viajante
no traçado das quimeras
            provar a tua pele
na língua portuguesa

o demônio sobre a mesa
o messias sobre as águas
quando ainda me aguardas
naquela torre onde tu moras
onde sempre te acordas
ao sopro do meu fantasma

ele te devolve a vida
num feixe iluminado
o teu barco à deriva
tem a guia na vontade
do meu coração calado
              duro de pedra

o caminho tão distante
        vou cego viajante
no traçado das quimeras
            provar a tua pele
na língua portuguesa

vem mulher anda comigo
              pela costa do mar
a imprimir nossas pegadas
   junto ao  curso das gaivotas
no próximo sol doce
eu só quero te abraçar

jardineiros das memórias
cataremos flores mortas
que viveram tão valentes
tal crianças inocentes
horizontes da história
reflexos da eternidade
nossas faces no espelho

o caminho tão distante
        vou cego viajante
no traçado das quimeras
            provar a tua pele
na língua portuguesa

wasil sacharuk





genuíno

  genuíno 

o meu avesso
tem tons desconexos
mas não tem gênero
não tem cor
nem sexo

é o melhor lugar
avesso de estar
avesso de ser
genuíno que é

o avesso de mim
é avesso em ti
de tão nosso
e o teu avesso
é o que de mim
eu mais gosto

wasil sacharuk







sais de banho



sais de banho

subtraio os teus pensamentos
rasgo as tuas  roupas
arranco tuas promessas
desde as singelas
até as mais loucas
misturo aos sais do teu banho 
partículas ocultas de mim

subtraio os teus vícios
teus fins teus inícios
drogas e culpas
invado domínios
subjugo o arbítrio
aos recônditos sinistros 
dos escondidos segredos
e dos ossos do medo

subtraio teu baú de artifícios
obscuros diamantes
lapidados na mente
 hades latente de fogo e lama

subtraio a tua  liberdade 
se minha crueldade 
 te prende na cama

de novo e de novo

o que de ti subtraio
logo mais eu devolvo

wasil sacharuk










engrenagem

engrenagem 


ao crepúsculo 
da tua vontade
posso ser engrenagem
encaixe insistente
coroa dentada
amor mecânico
só sacanagem

posso também
desnudar-te as fragilidades
causar-te abalo sísmico
da crosta latejante
até a profundidade
sarar tua nuca arranhada
no bálsamo de um beijo

posso ainda provar-te
que um ou dois dedos 
podem rasgar superfícies
romper as comportas
das marés

e minha herética fé
relega ao simulacro
dissolve em arremedo
tudo o que pode ser fraco
tudo o que pode dar medo

e até posso bem mais
porém isso é segredo

wasil sacharuk






SACHARUK - MALVA PAPOILA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK  - MALVA PAPOILA 

Sacharuk conduz o espectador por uma jornada sensorial onde a palavra falada se torna corpo, engrenagem e abismo. Através de uma performance visceral, Sacharuk explora as fronteiras do desejo e a busca pelo "avesso" genuíno do ser.  O poeta entrega uma sequência de textos que transcendem a simples leitura, transformando a palavra falada em uma experiência tátil e emocional. Com uma voz que oscila entre a precisão mecânica e a vulnerabilidade absoluta, Sacharuk convida o público a explorar o que existe sob a pele e além das máscaras sociais.

A sequência performática inicia com uma metáfora industrial do amor ("amor mecânico", "coroa dentada"), evoluindo para uma entrega quase mística e geográfica ("costa da laguna", "Netuno"). O poeta transita entre a agressividade da posse e a delicadeza da descoberta, culminando na reflexão sobre o "avesso" — um lugar sem gênero ou cor, onde a identidade se funde com o outro.

"Crepúsculo da tua vontade posso ser engrenagem, encaixe insistente, coroa dentada, amor mecânico."

"O meu avesso tem tons desconexos. Mas não tem gênero, não tem cor nem sexo."

"Provar a tua pele na língua portuguesa."

É um convite para refletir sobre nossas fragilidades, nossos medos e a beleza de se perder no traçado das quimeras. A poesia aqui é viva, pulsante e, acima de tudo, honesta.

Vale assistir para entender como o spoken word pode ser uma ferramenta de autoconhecimento e conexão. Wasil Sacharuk não oferece apenas versos; ele oferece um espelho para o nosso próprio avesso.

#SpokenWord #PoesiaFalada #WasilSacharuk #LiteraturaBrasileira #PerformancePoetica #ArteEExpressao #PoesiaViva #Cultura #DesejoEPoeisa #OAvessoDeMim #Poesia #SpokenWord #WasilSacharuk #Cultura #Literatura #Arte #Reflexão #PoesiaContemporanea #Performance #EscritaCriativa




SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...