lusofonia de um poema

 Lusofonia de um poema


As minhas palavras de Fado 

gostam de cantar continentes

e dançar carnavais de funaná.

As minhas palavras de bacalhau

têm fome de cachupa e funje

e sede de água de côco.

As minhas palavras de Tejo

navegam pelo Amazonas

e banham-se no Zambeze.

Quem as quiser encontrar

tem de ter na mão um planisfério

e descobrir onde fica Lusofonia


Digo alguns versos de samba

às ruas de Trás-os-Montes

com os Pauliteiros de Miranda.

Digo alguns versos de feijoada

com um tanto de óleo de palma

e uma garrafa de vinho do Dão.

Digo versos de pedra da Mina

que ecoam na Montanha do Pico

e são ouvidos no alto do Binga.

E quem os quiser escutar

tem que sucumbir aos mistérios

e as belezas da Língua Portuguesa.


Emanuel Lomelino & Wasil Sacharuk


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