Frida e a janela

 Frida e a Janela


Eu sou Frida, a abandonada. Aos oito anos fui deixada aqui, na janela. 

Meus pais queriam amor e foram buscá-lo. 

A vizinha, Dona Herta, vem todos os dias, quatro vezes, e traz biscoitos, sanduíches e o almoço. 

Eu aguardo aqui, na janela, enquanto observo o monte, lá no fim, entre a campina e o horizonte. 

Eu sei de cada movimento, cada quero-quero, pardal e, logo abaixo, sei de cada boi magro e meus dois cachorros. 

Guaipa e Vanerão comem os restos do gado que morreu de fome. 

O sol matou o capim e as novas sementes continuam aguardando a chuva, tal como espero meus pais. 

O que sobrou já não é mais verde. Tem aquela cor tempo queimado, meio amarelo ou marrom. 

Meus amigos são os periquitos, que conversam comigo lá do tronco seco. Azuis, verdes e amarelos. 

Eles insistem em falar sobre tempos tristes que jamais voltarão.


wasil sacharuk


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