tomando veneno

 Tomando Veneno


Moro em uma casa de ranhuras

de paredes já escritas em teias

vivo conjugando conjecturas

de um verso mudo de linguas


Como no prato bordado de dó

a miséria de tanta riqueza

entre a polidez coberta de pó

e a lucidez que corta certeza


Falo uma lingua dissonante

que com meu som apedrejo

enquanto calo o instante

daquele beijo que não beijo


Sei que me encontro nas ruas

e deito e durmo nas tormentas

único argumento da lógica nua

é bebido em gotas peçonhentas.


Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk 


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