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flores n'água

 flores n'água


falsos amores bizarros
seduzidos e consumidos
nenhum deles foi caro
perecíveis tal flores
fugazes como os sabores
facilmente esquecidos
depois de provados

falsos amores frustrados
dilacerados rendidos
serviram como escravos
minha alcova de horrores
só ingênuos impostores
pretensiosos perigos
fatalmente enganados

convencidos e fascinados
tanto heróis ou bandidos
no fundo meros atores
canastrões amadores
 parasitas nocivos
e foram só patrocínio
de subvenções e agrados

as flores mantenho n'água
só para vê-las murchar
no vaso regado de mágoas
catando a luz pelo ar

wasil sacharuk











esqueletos

 esqueletos ☠️💀🦴💀


naveguei tantos mares
explorei outras terras
remei o dó nas galeras
com dores nas costas
e de olhos tristonhos
em busca do porto
para ancorar alguns sonhos

marés de tantos azares
outras de sorte ou quimeras
abandonei causas velhas
pisei na fama e na bosta
mirei destinos tacanhos
joguei pérolas aos porcos
servi senhores estranhos

separei dos meus pares
fui ovni entre estrelas
ficamos eu e as panelas
pois eu perdi as apostas
que fiz com deus e demônio
vi meus sonhos aos ossos
de esqueletos medonhos

wasil sacharuk













jogos confusos

 jogos confusos


pensei em sangrar
os meus pulsos
pensei em cortar
os meus cabelos
escrever uma carta
pela última vez
registrar minhas letras

porém das lembranças
que terei do futuro
de mim voarão borboletas
cintilantes estrelas
no céu mais escuro

dos murros
dos muros
e das incertezas
desses jogos confusos

então quero viver
pintar aves nos céus
amainar asperezas
negociar com os sonhos
perdoar as mentiras
e morrer natural
pelos dias lentos
aprender a sorrir
eu quero viver

pensei em conter
meus impulsos
pensei em contar
meus segredos
pensei palavras exatas
dissecar minha tristeza
em poesia

mas as certezas
que eu ainda tinha
migrarão tal andorinhas
e outras novas belezas
tomarão seu lugar

então quero viver
e poisar no papel
as lágrimas belas
do universo tristonho
entender diferenças
e morrer bem normal
sem meus lamentos
aprender a viver
eu quero viver

wasil sacharuk 












dores de toda gente

  dores de toda gente 


vi pela janela aberta
os nós do cotidiano
a natureza morta
para o deleite humano
 vi pelas grades tortas
semblantes indiferentes
cabeças girando tontas
dores de toda gente

haviam razões incertas
os mais tolos enganos
pessoas andando lentas
ratos saindo dos canos
crianças correndo soltas
em busca dos pais ausentes
cães mijando em volta
dores de toda gente

vi a carência farta
os pensamentos insanos
amor que mata e que corta
saúde restrita a planos
comportamentos psicopatas
ofertas de sexo quente
conversas vazias baratas 
dores de toda gente

as vidas resultam ingratas
e poderia ser diferente
são sempre tão inexatas
as dores de toda gente

wasil sacharuk









enxaqueca

 da lógica estrambótica incompreensiva das coisas

(enxaqueca)

entro e saio da metafísica
chego pertinho da ética
vislumbro o traçado na lógica
insana cruel estrambótica

logo
tuas manhas são coisas
que minha cabeça não toca
a ti são moedas de troca
terror versus racionalidade
colagem de alguns fragmentos
inventam qualquer verdade

eu queria um apelo holístico
sensível e também silogístico
mas só revirei sentimento
enxaqueca gastrite lamento
e a maldita incompreensão
escambo entre o sim e o não

eu queria ir além da razão
sobre-humano divino ou ético
com premissa e conclusão
um lampejo profético
de inconformismo dialético
a fé numa puta falácia

também queria eficácia
saber juntar os caquinhos
e enquanto vivo sozinho
lerei versos de alegria
talvez eu cometa a audácia
e risque uma nova poesia

wasil sacharuk








o signo

 

o signo 

busca a palavra que designa
quando morre toda a vida
quando seca a ferida

busca a palavra que é digna
quando a morte ressuscita
quando a primeira vez se grita

busca a palavra que resigna
quando a morte ou a vida
é tão contingente e iludida

busca a palavra - o signo
que representa a morte
que representa a vida
que sentencia a sorte
se vitoriosa ou perdida
que ruma a um novo norte
nova missão cumprida

busca a palavra da morte
busca a palavra da vida

wasil sacharuk





SACHARUK - ESQUELETOS Full - poesia falada spoken word

 SACHARUK - ESQUELETOS 

O Signo da Vida: A Poesia Visceral de Wasil Sacharuk

Em uma performance que transita entre a angústia existencial e a celebração da vida, Wasil Sacharuk utiliza o spoken word para dissecar as dores do cotidiano e a busca incessante por uma linguagem que dê sentido à morte e à existência.

ESQUELETOS é uma coletânea de textos interligados. Começa com a busca pela "palavra que designa", um signo que represente a dualidade entre a vida e a morte. Segue para uma reflexão sobre a lógica e a ética, mergulhando nas "dores de toda a gente" observadas através de uma janela. O ponto de virada ocorre quando o eu lírico, após considerar o fim, escolhe a vida, decidindo "pintar aves nos céus" e transformar lágrimas em poesia. Finaliza com metáforas marítimas de desilusão e uma crítica ácida aos "falsos amores bizarros".

"Busca a palavra que resigna quando a morte ou a vida é tão contingente, iludida."

"Vi pela janela aberta os nós do cotidiano. A natureza morta para o deleite humano."

"São sempre tão inexatas as dores de toda a gente."

"Das lembranças que terei do futuro, de mim voaram borboletas."

"No vaso regado de mágoas, catando a luz pelo ar."

A palavra que designa, a palavra que cura. 🗣️✨

O poeta Wasil Sacharuk nos leva a uma viagem profunda  pela busca de um sentido maior. Entre a angústia e a esperança, ele nos lembra que a poesia é a audácia que nos permite continuar.

💬  Uma reflexão poderosa sobre ética, lógica e, acima de tudo, humanidade.

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SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...