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homenagem de ROGÉRIO GERMANI

 O mago


Tatear silêncios requer talento de mago
baú de palavras seduzidas num eclipse de almas
ser ave destemida perante a tempestade das horas tristes

carece ter floridas lavas nos dedos
vastos enigmas nas trilhas da pele povoada por versos
confluente rio em busca de respostas para os calafrios
que brotam constantes no peito

misturar provérbios
unguentos
orações celtas nos olhos descampados
beber da água cristalina que o coração produz e estende
ao primeiro nômade que guarda sua voz de cânfora
sentir-se luz
mãe e filho do tempo

Dédalo peregrino acendendo tochas no vagar das horas.

Rogério Germani



essencial

 Essencial


Essencial é teu sorriso aberto
tua alma num frasco
nosso encontro em versos
em qualquer direção, tempo
[ou espaço

Natural como o afeto
que acalma em seu laço
recôncavo e reconvexo
qualquer conjugação, momento
[ou lapso

Necessário feito o ar
é tua musa em cadência
o lastro direito de sonhar
em qualquer estação, luz
[ou frequência

Que flua em teu mar
vocábulos na correnteza
e o desejo de nadar
na argumentação, no som
[na eloquência .

Rogério Germani & Wasil Sacharuk




vidas paralelas

 Vidas paralelas


Há um mistério guardado
nas rubras fendas de peito aberto
em cada silêncio abrigado no verso
de sua alma dilatada

assim como existe uma fonte
que jorra encantos
por onde sua luz edifica sonhos
e deixa nos olhos farfalhar de
cores
prenúncio de viva aquarela

Há um silêncio calado
nos ecos que repicam incertos
cada mistério que esconde o avesso
de poesia enluarada

Não há um final no horizonte
sequer em seus cantos
onde uma reta divide os mundos
remete o poeta a vislumbrar
estrelas
entre as vidas paralelas.

Rogério Germani e Wasil Sacharuk



quase luz no imenso vazio

  

Quase luz no imenso vazio

Na janela, ela aguarda eclipses
ouve passos de enfunados sapos
arrisca um assovio 
um chiste
uma palavra que traga nova estrela
na ponta do dedo em riste

Na janela, ela não desiste
o olhar desenha outros espaços
no concreto, nos rios
na paisagem triste
planta motes de incauta beleza
na longitude dos traços

na outrora janela de sorrisos largos
ela insiste em coroar um verso
(quase luz no imenso vazio)
arrisca passos úmidos no puído caderno
e encontra a rima perfeita em seu silêncio
lágrima que desperta a poesia na alma

o sal liquefeito de amálgama
dispensa o amparo do lenço
e se funde no insight eterno
sobre um tempo de estio
quando o sol foi reflexo
e a poesia o afago.

Rogério Germani & Wasil Sacharuk



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