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línguas vãs

 linguas vãs


frenéticas moléculas entre mãos

frenesi de filos múltiplos

calculáveis incalculáveis júbilos

e arfar de dois pseudo vilões


dialéticas encéfalas línguas vãs

entremeios desejos súbitos

adoráveis e inefáveis vínculos

e o amor de dois ingratos ladrões


ilha de pensamentos em “cânticos”

folhas aos ventos dissimulados

castos não tão estimulados

fervilhões de atos tântricos


histórias de tormentos erráticos

entre os caminhos malfadados

rastros de horrores dissimulados

a deitar a trilha do encanto


Dani Maiolo & Sacharuk


Corro e morro

 Corro e morro


No corredor escuro a correr

Canso mas não esmoreço

Não sei mais o que fazer

Continuo a correr sem tropeço


O escuro é tão denso e palpável

Posso até pegá-lo com as mãos

Não sei se abertos ou fechados

Os meus olhos agora estão


Parei um pouco para respirar

Mas o ar está demasiado pesado

Há mais pessoas a me acompanhar

Neste lugar tão apertado...


Não quero nem ver para crer

Com medo eu não adormeço

A alma está para vender

No inferno alguém paga o preço


Eu corro caminhos acidentados

Com vapores que brotam do chão

Que queimam os desenganados

No fogo feroz da anunciação


Eu quero mas não posso parar

E percebo que estive parado

Se correr sem sair do lugar

Meu sangue será consagrado


Mas a curiosidade é vilã

E olho para traz por um instante

Vejo vaga luz no afã

Esperança de um rompante


Assimilo que ninguém mais a vê

E percebo que ainda tenho chance

Se correr do lado contrário

A salvação talvez me alcance


Mas ao olhar direito luz que despontava

Percebo que era somente ilusão

Corri sem sair do lugar, sem nenhuma passada

Me ajoelhei de desgosto nessa fração


Corro e morro repetidamente

Sufocada pelas muralhas quentes

Abafada por todos os descrentes

Que fazem parte dessa corrente


Dani Maiolo & Wasil Sacharuk



interprete a verve

Interprete a verve


O massacre dos desejos

É coito interrompido

Uma broxa se repetindo

Ato falho na caminhada


vai e vem

e nada

esfrega e roça

espicha e coça

o malogro do tesão


O gozo em plena excitação 

Constrói a rua de delícias

Abafar suas malícias

É ser frouxo e moleirão


sai e entra

na alucinação

vira e troca

emboca e toca

a lira fodedeira


Veja isso como queira

Sou lasciva e sem vergonha

Vou safada, de esgueira

Bater para seu ego, uma bronha


bota e tira

bate e apanha

morde a fronha

só a cabecinha

perfura poema fogoso


Tente se encaixar nessas linhas

Tão nossas, tuas e minhas

Excitando o leitor curioso

Fazendo do trouxa, corajoso.


Dani Maiolo & Wasil Sacharuk



 

terra de ninguém

 TERRA DE NINGUÉM


Paralelepípedos nas ladeiras

Os ratos a cochichar nos cantos

As moças coloridas e faceiras

Malandros, lá tem o seu encanto


Onde a cultura se faz baboseira

A indiferença entre riso e pranto

Toda a desgraça é só brincadeira

Miséria, doença e vela pro santo


O morro, subterfúgio de tudo

Crianças a brincar na lama

Estampidos a deixar-te surdo

Traficantes, ladrões e uma dama


Polícia é cega e o direito é mudo

Mulheres vendem a alma na cama

A sanidade é um mero absurdo

E a segurança faz parte da trama


Mais abaixo, vem a bela paisagem

Os carros na avenida principal

Motoristas se despistam da miragem

Celulares e buzinas num tom boçal


Jóias falsas, modelitos e maquiagem

Silicone, botox e o sorriso formal

Os assaltantes bloqueiam a passagem

No luxo e no medo o estado normal


As luzes se acendem no anoitecer

Fica 'inda mais difícil enxergar

O que não é belo finge-se não ver

Na terra de ninguém vais democratizar?


A trégua não vem junto ao amanhecer

O céu é incerteza e o inferno é o lar

Não é bom negócio subir ou descer

Em terra de ninguém o que queres mudar?


Dani Maiolo & Wasil Sacharuk


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