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Tateando no escuro

 Tateando no escuro


Busco no poema a essência

Para iluminar meu rumo obscuro

Busco efeito mágico da cadência

É só o verso simples que procuro


Sigo tateando no escuro

Sem guia, sem clarividência

Sigo procurando verso puro

Sem mapa, sem muita paciência


Eu queria uma verve magnética

Desfile de rimas da minha verdade

Mesmo que se insinue cáustica


Preenchendo minha necessidade

Mas nunca o vazio da alma poética

Reescrevendo linhas em ansiedade.


Wasil Sacharuk & Decimar Biagini


TE ESPERO COM UM SONETO

 TE ESPERO COM UM SONETO


Oi meu amigo, preparei algo para ti

É um soneto incompleto e carente

Com o fim de relatar o que hoje vi

Li muita poesia, vi inseto e vi gente


Mas, poeta, meu dia não foi normal

O passo do destino pisou na bosta

passei com dor na coluna cervical

que me deixou com um S nas costas


Nova onda de gripe A está prevista

Daí já não deixo a porta aberta

Por isso me sinto tão pessimista


Olhei o noticiário e lembrei de ti

Falava de poetas em descoberta

Que descobriram esta arte em si.


Decimar Biagini e Wasil Sacharuk


soneto livre ao endividado

 SONETO LIVRE AO ENDIVIDADO


Cada dia que passa chega uma fatura

Cartões de crédito, àgua, luz e telefone

Os desgraçados ainda abreviam sobrenome

Que saudade da venda da esquina, da fartura


Local onde vendiam fiado e chamavam pelo nome

Hoje sou só um cpf com caixa de correio

Se inventar de pagar todas as contas passo fome

O que é pior é que o mês recém está no meio


Agora vou me jogar nos braços da inadimplência

Jogar tudo às favas ou qualquer outra indecência

E os meus credores que procurem o juizado


Vou me aposentar e não pagar nenhuma conta

Com a taxa de juros vai ficar em alta monta

Por isso vou cuidar de contratar advogado.


Decimar Biagini e Wasil Sacharuk


o último charrua

 O Último Charrua


No alto de uma coxilha
Viu-se um índio repontando horizonte
Um lobo sem sua matilha
O último cocar de sua brava gente

Filho de Tupan, esquecido pelo tempo
Preso a miséria da civilização escassa
O cusco ovelheiro, seu único alento
Índio cor de cobre, esteio de sua raça
Em uma bombacha e encarnado lenço
Pés descalços e pobre, domava que dava graça

Modesto Charrua, a coronilha da raça
Que sina a sua, a última alma que passa

Parecia com pingo sem tropilha
Viveu de saudade sem canga errante
Mas não se reculutou na pandilha
Viu o encanto nativo cada vez mais distante

O rebenque da sorte guasqueou o intento
Entendeu que na lida há o dia da caça
E cantou solito aporreando o relento
A milonga tristonha de esperança escassa
Se o desejo do homem é cambicho sedento
A bonança de um é do outro a ameaça

Modesto charrua, o fim é o livramento
Que sina a sua, espírito xucro do vento.

Decimar Biagini e Wasil Sacharuk




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