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feridas

 feridas


não vertas
o azeite fervente
sobre tuas feridas
se a dor
não é tua escolha

elas se curam sozinhas
num afago consciente
depuradas com carinho

wasil sacharuk



infernos que jorram de ti

 infernos que jorram de ti


que persigas luzes na vida
riscando rumo num traço
de fatal poesia

onde plantarás flores
daquele tipo que brota
das sementes sagradas
dos medos rancores
verdades remotas
nessas tuas catarses

infernos que jorram de ti
enquanto escreves
mundo que crias
onde queres
teu descanso em paz

teu olhar se insere
no espelho da lua
enquanto brilhas
nos vãos das galaxias
mundos abissais
que se formam
nos cruzeiros das ruas
nos teus puteiros 
e nas tuas catedrais

que persigas luzes na vida
riscando rumo num traço
de fatal poesia

onde lapidarás cores
nas nuanças mais brutas
das tuas pedras lascadas
teus rochedos, temores
entidades mortas
que não mostram a face

infernos que jorram de ti
enquanto escreves
mundo que crias
onde queres
teu descanso em paz

teu olhar se reflete
nas palavras mais cruas
enquanto teces
versos a revelia
sobre as cores do dia
que se formam
quando o sol se insinua
talvez dia inteiro
ou talvez nunca mais

wasil sacharuk










heresia

 heresia


entre ser e essência
não há evidências
apenas os dogmas
sentenças e estigmas
forçosa doutrina
a mim não determina

pois prefiro a heresia
em vez da guerra fria
em nome das idolatrias

entre fé e descrença
não há diferença
apenas escolhas
escondidas vergonhas
de teor moralista
a mim não conquistam

pois prefiro a heresia
em vez da vã teoria
doutrina e teologia

entre crença e razão
não há argumentação
apenas falácia
nenhuma eficácia
sequer silogismo
à luz do tomismo

pois prefiro a heresia
a ver a Filosofia
ao fogo da inquisição

wasil sacharuk









estranha florista

 estranha florista


a estranha florista
pedala a bicicleta
atravessa a floresta
tanto chão pela frente
mas o universo conspira

da vertente
jorra água cristalina
ela pode beber
também pode banhar
a natureza é justa
 o tempo infalível
organiza tudo
no devido lugar

ela aprende
o que a vida ensina
quando ouve as pedras
logo diz para as flores
que coisas pequeninas
podem ser muito belas

e só ela percebe 
quando a rosa calada
 chora suas feridas
e despetalada
se despede da vida

pela estrada
seu amor corre líquido
rega em luz seu espírito
para acender madrugadas

wasil sacharuk







garça

 


garça

poisas para mim
em meus castelos jardins
tuas virtudes tão plácidas
diluídas nas curvas
e plasmadas nas sombras
com luzes cálidas

e tu riscas serpentes
sob o céu de penumbra
da minha mente esquálida
que perdida em escusas
e fogueiras folclóricas
verte a verve das musas
encharcada de vodka

sabes bailar graciosa
com incertas passadas
sabes voar ousadias
com tuas asas largas

pois eu sei ver a poesia
numa garça
estabanada

wasil sacharuk







a alma com calma

 


a alma com calma

canto baixinho
sussurrando
amarro os sapatos
mas não ando
parei o relógio
num segundo
fazendo bolinhas
do que é grande
a alma com calma
quer que eu cante

ando calminho
acalmando
andando de lado
vagueando
trouxe o ilusório
pro meu mundo
fazendo a vidinha
doce instante
a alma com calma
quer que eu cante

santo cantinho
vou queimando
eu ando baseado
enrolando
sou um notório
viramundo
eis a vida minha
relevante
a alma com calma
quer que eu cante

wasil sacharuk





SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word


SACHARUK - HERESIA

 Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de construção em seu mais recente compilado de spoken word. Mais do que uma leitura, o vídeo é uma experiência sensorial onde a técnica de voz e a composição cênica elevam o texto literário ao status de performance teatral.

O vídeo apresenta uma sequência de poemas que transitam entre o existencialismo, a crítica social e a contemplação da natureza. Entre as obras destacam-se "Alma com Calma", "A Estranha Florista" e "Heresia". Wasil habita cada verso, transformando temas complexos como a busca pela essência e a dor humana em narrativas palpáveis e envolventes.

O cenário, embora minimalista, atua como um quadro que emoldura a presença do poeta.. Essa sobriedade cênica reforça a proposta do spoken word: a palavra é a protagonista absoluta, e o ambiente serve para amplificar sua ressonância emocional.

"A alma com calma quer que eu cante." (Trecho do poema Alma com Calma)

"Pois eu sei ver a poesia numa garça estabanada." (Trecho do poema Garça Estabanada)

"E só ela percebe quando a rosa calada chora suas feridas." (Trecho do poema A Estranha Florista)

"Pois prefiro a heresia em vez da guerra fria." (Trecho do poema Heresia)

"Que persiga as luzes na vida, riscando rumo num traço de fatal poesia." (Trecho do poema Fatal Poesia)

Vale assistir a esta performance não apenas pelo conteúdo literário de alta qualidade, mas para observar como a técnica de interpretação pode ressignificar um texto. Wasil Sacharuk prova que a poesia, quando bem dita, é uma força viva capaz de provocar catarse e reflexão profunda no público geral.

HERESIA revela um poeta que domina as pausas e os sussurros, transformando versos em confissões. Como ele mesmo diz no vídeo: "A alma com calma quer que eu cante". É impossível não se emocionar com a entrega em poemas como "A Estranha Florista", onde "só ela percebe quando a rosa calada chora suas feridas".

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SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

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