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récita III

 récita III 



015

um sussurro nasce
quando a solidão se torna festiva
quando o que caminha sobre nós
não pesa
 mas germina

tu vens assim
não como afirmação
mas como pergunta
que o corpo entende antes da boca

teu amor não é o meu
é o que atravessa o rio seco
e encontra nas águas evaporadas
uma razão para continuar

wasil sacharuk 



016

as correntes que plantei nos meus pés
não te prendem
elas enraízam
da raiz brota a seiva que não me pertence
ainda que eu tenha acreditado
que eu era teu dono

teu corpo
sangue
tua essência repartida em postas
para alimentar meus demônios

o que vertes de ti não me pertence
mas cada gota que cai
carrega meu nome
minha culpa
minha impossibilidade
de amar sem destruir

wasil sacharuk 


017

na noite das constelações caladas
o grito ainda encontra ouvidos
és o rio manso rio que dobra os braços
e também és o fim que se faz início
a chuva chega fora de estação
temporã e serôdia
trazendo vida onde a vida era extinta
e reconheço a minha vastidão
feita do teu fragmento
que permanece em mim
pequeno e luminoso
como orquídea que brotou
em solo impossível

wasil sacharuk 


018

menina
ahhhh menina!
moras em mim
numa chama inquieta
como em mim
mora a sina
obsoleta e chinfrim
de querer ser poeta
teu poeta!

wasil sacharuk 




SACHARUK - LIRA RESSONANTE Full - poesia falada spoken word



SACHARUK - LIRA RESSONANTE

A Eloquência que Perfura o Concreto

🖋️✨Wasil Sacharuk nos entrega uma performance visceral de Spoken Word que desafia o óbvio. Entre "flores esquizofrênicas" e "águas benta atômicas", o poeta nos conduz por um labirinto de emoções reais e sem filtros.

É poesia que não aceita encosto, que desafina para ser verdadeira e que encontra beleza até no solo impossível.

Wasil Sacharuk não apenas recita; ele exorciza. Através de uma performance que transita entre a impertinência e a vulnerabilidade, o poeta nos convida a abandonar conceitos pré-moldados para mergulhar em uma estética onde a palavra é, ao mesmo tempo, arma e cura.

Começa com uma afirmação de independência e não-conformidade, desafiando o espectador a aceitar o "jeito impertinente" do eu lírico. Em seguida, a obra mergulha em imagens surreais e naturais — dunas de areia, orquídeas esquizofrênicas e rios secos — para falar de criação, amor e a própria desilusão com a figura do "poeta fada".

A performance é marcada por uma musicalidade constante. Wasil utiliza o ritmo e as pausas para enfatizar o peso das palavras, alternando momentos de fala direta com trechos cantados que elevam a carga emocional. O cenário e a trilha sonora criam uma atmosfera de "embriaguez criativa", onde o "labirinto dos verbos" se torna o palco principal.

"Se minha eloquência perfura o concreto pré-moldado da tua essência, reinventa teus conceitos."

"Cultivamos orquídeas e outras flores esquizofrênicas." — A beleza que nasce do caos e do incomum.

"Teu amor não é o meu, é o que atravessa o rio seco." — A resiliência e a alteridade no afeto.

"Minha impossibilidade de amar sem destruir." — Uma confissão crua sobre a natureza humana e seus demônios.

Wasil Sacharuk foge da hipocrisia e do "confete" social para entregar uma poesia que "derrama sem régua". É um conteúdo essencial para quem busca uma arte que não pede licença para existir. 🎥👇




#SpokenWord #PoesiaFalada #WasilSacharuk #LiteraturaBrasileira #ArteIndependente #PoesiaViva #Cultura #PerformancePoetica

lira ressonante

 lira ressonante 


bebo no córrego aguaceiros e néctar - caminhos clandestinos ocultos nos poros e viro-te os potes ao encantamento dos verbos imperativos intransitivos e declinados ao encontro perdido no labirinto da embriaguez

deito na fluidez branca das tuas dunas de areia  - faço brisa do mar reentrâncias - a musa inspira 

deusa fêmea indelicada corruptora das filosofias -  tenho tua lira ressonante na ponta da minha língua 

wasil sacharuk




cueiros pandos

 cueiros pandos

andei por aí
de cueiros pandos
perdido no encanto
da velha diamba

ah poderia ser bamba
se um dia o pranto
perdesse guarida
para sambar na avenida

quem me conhece
e lê minha poesia
não esquece
que odeio carnaval
não faço prece
odeio hipocrisia
desencano desafino
acho tudo normal

logo derramo poema
assim meio sem tema
meio sem trégua
sem esquema
e sem régua
pois nenhum dilema
me cala ou me cega

já contei a história
consulta tua memória
que andei por aí
de cueiros pandos
perdido no encanto
da velha diamba

de onde ninguém volta
lá a coisa rola solta
tem água benta atômica
misturada com vodka
capim do diabo engov
palavra verso estrofe

wasil sacharuk



flores de sexta-feira

 flores de sexta-feira

incidem na parede
  palavras e coisas
pelos campos criativos 
onde cultivamos orquídeas
e outras flores esquizofrênicas
de sexta-feira

 o sol incide tão cheio
no quarto pela janela
entremeada pela cortina
a parede branca é uma tela
as sombras das nossas mãos
imitam voos de aves meninas

wasil sacharuk




notas: 

 "Flores de Sexta-feira" é uma delicada e instigante exploração da criatividade e da percepção, misturando o concreto do cotidiano com o abstrato da imaginação. Através de imagens sensoriais e uma linguagem sugestiva, o poema nos convida a observar o poder transformador da mente.

 "o sol incide tão cheio no quarto pela janela entremeada pela cortina". Essa luz solar, filtrada pela cortina, cria um ambiente propício à introspecção e à brincadeira da imaginação. A "parede branca é uma tela", um espaço em branco que aguarda ser preenchido pelas projeções da mente.

É nesse palco improvisado que a magia acontece: "as sombras das nossas mãos imitam voos de aves meninas". As mãos, que são ferramentas de criação e expressão, projetam sombras que se transformam em seres alados. O termo "aves meninas" sugere leveza, inocência e a pureza da imaginação que ainda não foi cerceada. É um ato de pura brincadeira e invenção, transformando algo tão simples como a sombra em uma dança de formas e significados.

"Flores de Sexta-feira" é uma ode à capacidade humana de encontrar beleza e significado nas coisas mais simples. O poema celebra a liberdade de imaginação, onde o sol, uma parede branca e as sombras das mãos se unem para criar um espetáculo poético que transcende a realidade imediata e nos convida a brincar com as formas e os sentidos do mundo.
 



concreto

 concreto

se minha eloquência
perfura o concreto
pré-moldado da tua decência
reinventa teus conceitos
não julga o meu jeito
pois sou mesmo assim
tanto impertinente
no fim
posso ser incoerente

eis que não me compete
 conformar ao teu gosto
pois não desejo confete
sequer quero encosto

wasil sacharuk




engano

 engano

inocente eu pensava
que poeta via coisas
do mundo das fadas
e dos quintos infernais
aquelas que reles mortais 
não podem ver

imaginava que descrevia
sentimentos do seu objeto
traduzido nos versos da poesia

que capturava tons e cores
amores e imagens
descrevia sabores
de sentimentos vivos

e ainda acreditava
que os olhos fechavam
para ver as paisagens
que os olhos abriam
para saber os motivos

wasil sacharuk






SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...