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alegorias

  ALEGORIAS

Desfaço hoje antigos laços que me sufocam
Apago agora velhas escritas que nada dizem
Jogo ao vento as rosas mortas, quero que pisem
Retiro célere as vãs promessas fora de foco

Corto agora os velhos nós que não desatam
Foco o meu inferno, esqueço a vertigem
De rumos tortos, minha busca, perco a origem
Mato fantasmas que me querem deixar louco

E por ironia, o muito empenho resulta pouco
nesta voragem de dar sentido ao desatino
No labirinto no qual enredo o meu destino

E por um lapso, o meu grito me sai rouco
o que resta é riscar versos em torvelinho
é o que faço e desconheço outro caminho.

Wasil Sacharuk e Marisa Schmidt



fandango

  FANDANGO

Vim pra contar uma história
acontecida nos lados do sul
Se não me trai a memória
era um dia frio e de céu azul

Ia eu pela estrada deserta
no meu cavalo de estimação
quando vi a porteira aberta
da fazenda do velho João...

E fiquei tanto desconfiado
daí adentrei a trote ligeiro
um silêncio brotava do prado
e nenhum sinal do caseiro

Saltei em frente ao alpendre
a mão cravada na garrucha
já carrego fora do coldre
por vez essa merda embucha

Ouvi um sussurro lá dentro
(temi um assalto ou emboscada)
Pé ante pé fui rumo ao centro
já vendo a porta escancarada...

Esperava lutar com o bandido
já entrei com a garrucha apontada
Mas vi foi um estampado vestido
no chão e uma prenda agitada...

O velho tocava gaita assanhada
e o caseiro agarrava o moirão
enquanto a china rolava deitada
se contorcendo inteira no chão

Agora depois do causo contado
que todos aprendam essa lição
não entre em campo abandonado
onde tem índio de guasca na mão.

Marisa Schmidt e Wasil Sacharuk



persistência

  ERSISTÊNCIA


O mundo percorre as distâncias
e o tempo marca o resto(de vida)
Segue o homem as circunstâncias
sem saber que a sina está decidida

Segue os caminhos das lembranças
de preto no branco quiçá coloridas
avanços agudos e das reentrâncias
de memórias vivas e das esquecidas 

Na soma das probabilidades
numa conta que nunca dá certo
é difícil equacionar a felicidade
se o amor quase nunca está perto

E se vive a juntar os pedaços
reerguer o próprio amor das ruínas
a tentar preencher os espaços
dos incidentes na rota da sina. 

Wasil Sacharuk & Marisa Schmidt



a sombra que nos espicha

  A sombra que nos espicha


A sombra que nos espicha
infelizmente não explica
a alma que busca espaço.

Somos estranhas figuras
que entre risos e agruras
segura a vida no braço...

A sombra que nos indica
fatalmente enfeitiça
de ver o eu projetado

Somos estampas escuras
decalcadas nas ruas
represadas nos traços.

Marisa Schmidt & Wasil Sacharuk



preliminares

  PRELIMINARES...

Lá no tempo das certezas
Lambia enternecida o sorvete
que pingando no corpete
desenhava achocolatadas belezas

Lá no tempo dos devaneios
Voando por mil e uma madrugadas
as estrelas, na camisola desenhadas,
faziam vibrar as notas dos anseios

Lá no tempo das purezas
A paixão era tanto mais quente
trocávamos nossos chicletes
e outras carícias sob a mesa

Lá no tempo daqueles rodeios
num baile de línguas enroscadas
a nossa espera foi saciada
depois do toque em meus seios.

Wasil Sacharuk & Marisa Schmidt



SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...