Wasil Sacharuk (1967-2026) recusou o refúgio da lírica ornamental, construiu uma linguagem brutal: sangue, gesso, mármore, ferro, sal, vísceras. Na sua obra, a morte não é abstração, mas de lucidez cruel e aceitação estoica. Um confronto honesto com a finitude. O amor foi descrito com intervenções profundas e por vezes violentas. Tensão entre posse e liberdade. Sacharuk recusou a fé institucionalizada para situar o divino numa espiritualidade telúrica.
Gela a alma coesa em cristais Utópicas moléculas espúrias Águas sujas em mananciais Sequestradas das bocas das ruas
Claras não são sempre as águas Lacrimais vertentes de oceano As ondas empurram as mágoas Ribeirões estouram os canos As correntes somente deságuam Seus latentes instintos insanos
O Outono da Alma e as Águas do Sentimento: Uma Jornada por Wasil Sacharuk
Em uma performance que transborda sensibilidade, o poeta Wasil Sacharuk utiliza a metalinguagem da natureza e do tempo para explorar as profundezas da condição humana, entregando uma experiência de spoken word que é, ao mesmo tempo, um desabafo e uma cura.
SUFOCO DO TEMPO é uma colagem de poemas que orbitam temas como a passagem do tempo, a dor, a natureza (especialmente a chuva e o outono) e a busca por sentido em um mundo que parece ter perdido a "clareza da visão". Sacharuk inicia com uma ode ao outono, criticando a pressa de quem não vê a beleza na folha que cai, e transita para reflexões mais densas sobre a moralidade, o choro ("quero chorar oceano") e a solidão urbana. Há um contraste interessante entre a suavidade da "folha seca flutuando" e a força da "máquina de fazer chuva" que encerra a sequência.
"Não veem que o outono é feito com nuanças de poesia e tons sépia de cura."
"Aprendi que chorar é bom, então quero chorar oceano."
"O tempo anda perdido do tempo, sufoca nas ruas silentes."
"A máquina de fazer chuva pode acionar as torrentes... encher a concha das mãos."
SACHARUK transforma sentimentos abstratos em imagens concretas e táteis. É um convite para parar, respirar e permitir que a melancolia, em vez de nos paralisar, nos convide a "dançar na rua".