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demais

 

demais

aquilo que julgam demais não me consome
pois sempre vem, me tenta e depois some
contudo, não fica atracado em meu cais

não devaneio em barracos ou catedrais
não temo as valentias ou bulas papais
encontrei minha bússula na felicidade

não, não desejo comprar nenhuma verdade
só atendo aos chamados da minha vontade
e só o que sinto considero demais...

tenho o foco naquilo que sinto
e só o que sinto para mim é demais

wasil sacharuk








alívio

 alívio 

busca o alívio
pelo sangue que jorra
dos buracos de faca
nesse mar gosma verde
nesse século de sede
num dia de ressaca

busca o alívio
dessa dor que ataca
que judia que fere
a dor que te adoece
é a mesma que mata

busca o alívio
na crença ingrata
que te pede e promete
outro milênio
de novas bravatas

busca o alívio
numa letra de hino
nas ciências exatas
nos sistemas de ensino
na pintura abstrata

busca o alívio
nas ideias compradas
filosofias baratas
nas sentenças mais curtas
nas comidas em lata

busca o alívio
nas vivências passadas
nas certezas já prontas
que jamais dizem nada

wasil sacharuk





alma nas paredes

 alma nas paredes


aqui é cinzento nessas casas lindas do século XVIII suas paredes têm alma aqui são tristes passam calmas as noites frias e dos úmidos dias apenas ouço os murmúrios 
aqui é escuro profundo tal poço as cores sombrias perpassam os olhos intrusos que me habitam
aqui é cinzento nessas casas lindas do século XVIII eu ainda te vejo vejo para sempre

wasil sacharuk





jardineiro

 


jardineiro

visitou o jardim
pousou a mão
sobre a indelicada
rosa vermelha

tão linda
abriu-se inteira
desejosa
exibiu sua beleza

o jardineiro
feito abelha
deslizou satisfeito
pela seiva

toques cálidos
resvalaram vontades
com paciência
com paixão
nos úmidos humores
da lírica flor

sucumbiram as pétalas
de tanto calor
lânguida rosa
indecorosa
liberta e plena
feito poesia

wasil sacharuk





pueril balanço das roupas

   

pueril balanço das roupas

a disposição era torta
contemporânea instalação
exposta em qualquer bienal
numa concepção universal

pendiam sarrafos do chão
tal atlas das roupas rotas
uma jazida de células mortas
oculta nos poros de um blusão

das brisas que sopram varal
ventam roupas em cor desigual
pingos pingados na imensidão
numa organização tão incerta

pediam por uma área aberta
para poder arejar o colchão
e secar os fluidos ao sol
esfregados com branco total

com gancho grampo e cordão
penduravam um mar de gotas
de limpas cheirosas e fofas
tramas têxteis de ilusão

wasil sacharuk








das alturas

 


das alturas

enfrento as forças que ameaçam
desvio de ondas que não banham
das razões
a que eu desconheço
morro nas tramas que me apanham

são tantos ares
eu nem respiro
em tantos lares
eu já não entro
invado espaços que nem habito
moro em zonas que não frequento

viajo alturas que não alcanço
trago loucura para o remanso
sou prisioneiro 
da liberdade

de asas seguras eu não canso
a vida é dura mas tem encantos
não é utopia 
a felicidade

wasil sacharuk












SACHARUK - VARAL Full - spoken word poesia falada


 A Liberdade e a Dor na Poética de Wasil Sacharuk

 Em uma performance visceral que funde música, canto e poesia, o poeta Wasil Sacharuk nos convida a um mergulho profundo nas contradições da existência humana, explorando desde a melancolia urbana até o despertar dos desejos mais íntimos.

O vídeo apresenta uma sequência de atos poéticos onde Sacharuk transita por diferentes estados de espírito. A obra inicia com uma reflexão sobre a liberdade como paradoxo, onde o eu lírico se vê como um "prisioneiro" de suas próprias asas. A transição para imagens cotidianas, como o "varal de roupas", transforma o banal em uma instalação artística contemporânea, denunciando a fragilidade das nossas "tramas têxteis de ilusão".

A performance ganha tons sensuais e líricos ao descrever o encontro entre o jardineiro e a rosa, uma metáfora clássica para o desejo e a entrega. No entanto, o tom logo se torna cinzento e introspectivo ao evocar casas do século XVI e a busca incessante por alívio em um mundo saturado de "ideias compradas" e "filosofias baratas". O encerramento é um manifesto de autonomia: a felicidade como bússola e o sentimento como única verdade absoluta.

"Sou prisioneiro da liberdade. Asas seguras eu não canso."  
"Com gancho, grampo e cordão, pendurava um mar de gotas... tramas têxteis de ilusão."  
"A dor que te adoece é a mesma que mata."  
"Encontrei minha bússola na felicidade."  
"Só atendo aos chamados da minha vontade e só o que sinto considero demais."

Vale a pena assistir a este vídeo pela entrega absoluta do artista. Sacharuk habita as palavras, oferecendo uma experiência que desafia o espectador a olhar para suas próprias dores e encantos com a mesma honestidade.

Você já se sentiu um "prisioneiro da liberdade"? 🕊️

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SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

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