poesia dos desadornos

  poesia dos desadornos

ela ama as coisas
que assaltam os poros
que perfuram a pele
que podem voar ultraleve
mesmo na queda dura

ela toca sua rosa
sente os espinhos
a dor e a textura
as entregas gostosas
límpida laguna
para mergulhar

poesia dos desadornos
declamo sem ar
aos cumes do seu corpo
que expande e amingua 
na ponta da língua
desenho contornos

ela ouve os acordes
sinfônicos do violino
quando meus dedos finos
quedam seus lóbulos
poisam em seus lábios

ela ama a mão hábil
espalmada em sua nuca
quando o desejo ardente 
destrava os seus dentes
entreabre sua boca
e explora recônditos
 
poesia dos desadornos
que faz desaguar
 a ânsia das vertentes 
na ilha entre suas pernas
sua flor desabrocha
suplica que eu a contemple

wasil sacharuk











jazigo das orquídeas



jazigo das orquídeas

lírica faca afiada
sem piedade sem dó
corta lanha entorta
revira o avesso
reduz ao pó
o sangue que verte de mim

lírica ruína sem fim
coliseu das cinzas
desvelado jardineiro
das reminiscências híbridas
e negras orquídeas
estranhamente belas

wasil sacharuk












pioggia

 pioggia


 Lancei um pedido 
nas águas do mar
 estive perdido
 para me encontrar

 tanto fui louco 
a dialogar tuas mãos
 por espaços de coisas 
fora do lugar

 vivo escondido 
na esteira do tempo
 para nao sentir 
tua falta nunca mais

 vivo escondido 
detrás da tua porta
 para nao sentir 
tua falta nunca mais 

 eu sei pioggia 
meu castigo 
pioggia 

 eu choro pioggia 
meu castigo 
pioggia 

eu vivo escondido
 por espaços de coisas
 fora do lugar

 lancei um pedido 
para nao sentir 
tua falta nunca mais 

 eu sei pioggia 
meu castigo 
pioggia 

eu choro pioggia 
meu castigo
 pioggia. 

 wasil sacharuk








bálsamo

 bálsamo (tristeza arraigada)


 sou apenas alguém 
simples tal a palavra
mas verdadeira amiga
que te convida a voar
fazer da lua o abrigo
e travessuras no ar

sorver da noite 
a delicadeza
descansar na beleza
desatar nossos medos
e logo acordar mais cedo
com meia dúzia de rimas
contra a dor

arrancarei do engano
essa estranha tristeza
vertente de águas
nem de amores ou mágoas
quero ser águia ou anjo
voaremos até quando
despencarem segredos

(quero ter pés descalços
e palavras desnudas)

vem, abre as asas
não deixa-as mudas
rasga no céu um caminho
voa sobre as casas
não me deixa sozinha
prometo que não te deixo 
olhar para baixo

acima das certezas
e também incertezas
tu me verás cabisbaixa
eu pedirei um sorriso
ou talvez outro abraço

tua face no meu ombro
teus enganos, fardos 
talvez se reduza o espaço
entre os escombros
dos mundos encantados

apenas repousas
e também me acolhes
me sinto confortável
no teu toque delicado

quero colher um lindo sorriso
entre as tuas preocupações
que nascerá clandestino
cheiro forte como bálsamo

e quando eu voltar
cantarei uma torta canção
no reverso da estrada
tentando esquecer o refrão
dessa tristeza arraigada

wasil sacharuk










jardim de espinhos

  jardim de espinhos


 o tempo das horas ⌛ estanca e a lua se espanta ä irrelevância do mar das respostas - tu andas sobre a firmeza dos passos engolindo as novidades que os ventos te sopram - não há efemérides nas crateras espaciais ✨ - tu amanheces - face molhada de orvalho - o sabor amargo dss gotas ainda refresca e os cristais congelam as vísceras - quanto de amor ainda tens debaixo de memórias vivas e sentimentos brutos? quanto de amor ainda tens ocupando poros e alamedas  do teu lindo jardim de espinhos?

wasil sacharuk






apneia

 

Apneia 

Bolinei seu nariz com a pontinha do indicador. Surpresa, ela gentilmente invadiu profundezas do meu olhar e sorriu divertida, Ergueu sutilmente o cantinho da boca. Bem sei da frieza das noites em que ela adormeceu no jardim contando estrelas cadentes. Por isso sorri para ela também.

Corremos, dançamos e  mergulhamos desnudas numa gota de orvalho. Exploração infinita que durou uma apneia de sete segundos, minutos, anos. Depois, desafinadas cantamos.

Logo, toda molhada, ela se abriu toda, estrelada e lânguida. Assim percorri  meus dedos pela intimidade dos cachos dos seus cabelos que, enroscados num canto da lua, despencaram incertos pelo breu.

Generosa, beijou meus lábios de fogo e eu, fascinada,  entrei em seus olhos.

Jamais a esqueci, portanto a botei para morar bem dentro de mim, misturada com a poesia que corrompe  os fluidos e esculhamba os sentidos.

wasil sacharuk









SACHARUK - DESADORNOS Full - poesia falada spoken word

 SACHARUK  - DESADORNOS 

A Anatomia do Sentimento em Wasil Sacharuk

Mergulhei hoje na performance visceral de Wasil Sacharuk. É poesia que não pede licença; ela invade, "corrompe os fluidos e escolhamba os sentidos".

Neste vídeo, o poeta nos conduz por um céu de incertezas e um mar de respostas irrelevantes, buscando o que há de mais humano sob as "memórias vivas e sentimentos brutos". Se você busca uma arte que seja, ao mesmo tempo, faca e bálsamo, este vídeo é para você.

DESADORNOS é uma jornada sensorial que explora a dualidade do amor e da dor. Sacharuk utiliza elementos da natureza — o orvalho, o mar, o jardim de espinhos — para ilustrar a complexidade das relações humanas e da própria existência. O tema central gira em torno da vulnerabilidade ("palavras desnudas") e da busca por conexão em meio a uma "tristeza arraigada". Há uma tensão constante entre o desejo de voar ("fazer da lua abrigo") e a realidade das "reminiscências híbridas".

Com uma lírica que ele mesmo define como uma "faca afiada", Sacharuk transita entre a delicadeza do orvalho e a crueza das vísceras. Um dos momentos mais marcantes é o questionamento sobre o que resta de nós em meio aos nossos próprios "escombros":

"Quanto de amor ainda tens debaixo de memórias vivas e sentimentos brutos?"

"Quanto de amor ainda tens ocupando poros e alamedas do teu lindo jardim de espinhos?"

"Quero ter pés descalços e palavras desnudas."

"A lírica, faca afiada, sem piedade. Sem dó. Corta, lanha, entorta. Reviro o avesso."

"Misturada com a poesia que corrompe os fluidos, escolhamba os sentidos."

#SpokenWord #PoesiaFalada #WasilSacharuk #PoesiaBrasileira #ArteIndependente #Literatura #SentimentosBrutos #NegrasOrquideas #Poesia #WasilSacharuk #SpokenWordBrasil #ResenhaLiteraria #Cultura #Arte #PoesiaContemporanea #Reflexão #NegrasOrquideas



SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...