balanço do açoite

 balanço do açoite


"...e o silêncio em silêncio agoniza."
(Márcia Maia - "Banquete")


a sede
e o nó
trama de estar só
silenciando a tarde
quando arrefece
o derradeiro alarde
das vozes da solidão

entre azulados
violetas
e magentas
o silêncio é a porta
do aposento da noite

e a solidão
fingida de morta

é o açoite

wasil sacharuk




maltrapilho

 maltrapilho

transmutei sina em trocadilho
joguei a sorte nabstração
estive poeta estive andarilho
rumos dispersos sem reunião

escrevi um poema maltrapilho
equivoquei o juízo da razão
já não sei se sou pai
ou se ele é meu filho
não sei se sou cria
ou ele é criação

algum sentido esfarrapado
riscou versos desmetrificados
nasceram diversos
nenhuma emoção

 meus argumentos equivocados
disseram falácias
num tom enrolado
apenas premissas
sem conclusão

 wasil sacharuk



elétrons

 elétrons 

tu me fase
eu te fio
tu me terra

wasil sacharuk

espilicute

 


espilicute

espilicute
das cores silvestres
e sabores sutis
a paixão repercute
se a razão arrefece
sob teus flertes
e teus toques gentis

wasil sacharuk



rimas pobres decadentes

  rimas pobres decadentes

rente que nem pão quente
penteio os cabelos pra frente
os fios grudados no pente
caídos tão repentinamente

tudo está diferente
de chic virei decadente
nos óculos falta uma lente
perdi minha fé virei crente

o bolsa família é urgente
como o almoço contente
ainda que faltem os dentes
não falta minha água ardente

controlado remotamente
por um discurso deficiente 
da boca de um presidente
ladrão fiadaputa indecente 

continua tripudiando da gente
tascando mentira eloquente
meus companhero minha gente
a gente tamos indo pra frente

wasil sacharuk




tem gente que caga

 tem gente que caga


tem gente que caga
para o futebol 🏈
tem gente que caga
para a seleção🇧🇷
tem gente que caga
para o carnaval 🎭
tem gente que caga
para a eleição 💩
tem gente que caga
para Chico e Roberto 🎤
para Gilberto Gil
para João Gilberto
tem gente que anda
cagando e andando
a bossa não é nova
é só bosta rolando

wasil sacharuk



prefácio

 prefácio


escrever o prefácio
não é fácil
é algo que prende no lastro
tal algo tanto falso

eis que se abriu cadafalso
entre laços entre laços
nos requebros dos meus rastros
a poetar alabastros
entre a claustrofobia
e o espaço
e depois servir no antepasto
um pouco de pão com poesia

ai quem me dera um dia
eu cair nos teus braços
depois que juras bandeira
em meu mastro
a bolinar brincadeiras
a arrebentar os esgaços
fazer rasgos
tal quem rasga
a folha da alface
num disfarce
sensual e macabro

e quem me dera eu abro
o meu rabo
a um dedo de poesia
daquelas que me convencem
e ainda pense o que pense
sem eurekas e sem cautela
a segurar o candelabro
enquanto olha a vela

eis que escrever um prefácio
não é fácil
é algo que prende no lastro
tal algo tanto falso

wasil sacharuk

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