as viúvas de gramsci

 



as viúvas de gramsci

desfez-se a distância
entre as lembranças
e o firmamento
não há mais lamento
restaram vinganças
as podres memórias
de militância

a história
redunda em vergonhas
falsas beligerâncias
artimanhas

percorre simplória
pela linha do tempo
entre tolos eventos
extremidades do fio
da ignorância

e as viúvas de gramsci
valsam impunes
com a ganância

wasil sacharuk



bússola

 bússola🧭

só queria que sudeste 😁😜
para mim o teu sul👁️
porém tu nordeste🚫🙀
e ainda disseste:📢🌬️🌪️
não no meu centroeste🔏🚫
nem depois da minha norte✝️⚰️🪦
hoje só dou minha bússola🚬🧭🛞🛟

wasil sacharuk



pro-piroxîtono

 pro-piroxîtono


bicho errático trôpego
cego afônico e átono
dado a chiliques encefálicos
para morrer proparoxítono

de pontacabeça  fálico
revelou-se cálido e rústico
encamisado com plástico
logrou-se meio estapafúrdio

depois tombou epiléptico
parabólico e estrambótico
movimentou-se tanto elíptico
entre cambaleios drásticos

e desfaleceu lânguido
cabisbaixo e cáustico
para anoitecer esquálido
enternecido e estúpido

wasil sacharuk





libertino

 libertino


busquei minhas letras 
nas fontes da ideia
dos desejos e amores
 fiz versos concisos
escandi pelas grades da cadeia
rimei com a vida de improviso

de estrofes tortas fiz a teia
com um longo fio de verso liso
saí derramando sangue da veia
libertino e solto como o riso

comecei suspirando rima cheia
desenhei uma métrica boca e meia
 joguei num contexto impreciso
e agora espero que alguém leia
se ler que não faça cara feia
e acaso se goste deixe aviso

wasil sacharuk









orégano rosa

 orégano rosa


ignoro-te catarse poética
poema quando arrebenta
irrompe epiléptico
canais entrecruzados
fumaça de orégano rosa
influência de boa prosa
e memórias da alucinação

sou vivente de bom coração
mas não carrego alma bucólica
provo da náusea do cotidiano
com natural sofreguidão
risco versos cibernéticos
ensaio virtual estrambótico
de fundamento insano
e algum desfecho caótico

improviso o intento
de confessa manipulação
fantasia sofismo retórica
travestido de argumento
de umbigocêntrica sedução

cada poesia tem sua rubrica
e não é isenta de posição

wasil sacharuk



trapiche das noites

 trapiche das noites


 rasgo na noite de luz
 trilha traçada na água
 rumo para os devaneios
instiga enquanto seduz
afasta a ira e a mágoa

desenho de lua na areia
talvez fosse nova ou cheia
mundo marcado no meio
pelo caminho de madeira
o velho trapiche é esteio

navegam mistérios à deriva
naquela laguna tão viva
que acaricia os lamentos
beija a testa dos anseios
com doces sopros de vento

sempre que a noite incendeia
a praia ilumina, mancheia
reflete em cada um dos veios
daquela estrutura altaneira
atracadouro de tantos segredos

wasil sacharuk



pão

  pão

plantarei o trigo em solo fecundo
a ostentar a alva pele de cordeiro
quiçá limparei os pecados do mundo
da massa fermentada serei padeiro

espírito servido ao café da manhã
que sacia o amor no estilo caseiro
com hóstias brioches e croissants
o divino calor que emana do cheiro

da casquinha crocante da eucaristia
sovarei o cereal com força e poesia
obterei água e sal em plena comunhão

na mistura de letras dessa ladainha
o bromato se eleva sutil na farinha
engendra o milagre da multiplicação

wasil sacharuk




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