topografia

topografia


à espreita
olhos de sol
à noite são luas
iluminam a perfeição
das dunas
as digitais deslizam
círculos perfeitos
d'areias silenciosas
brancas e finas

pele tenra
frutos doces
pêssegos maduros
linhas contornam
desejos silvestres
pedem urgência
antes que o dia se rompa

flui a lagoa aberta
límpida potável
no declínio da sede
engasga o verbo
e sussurra
conjuga a língua
ao gerúndio das vontades

a brisa quente
chega do mar
viajando por córregos
beija as reentrâncias
trilhas clandestinas
encontra nos poros
versos de ouro
à fartura dos potes

wasil sacharuk





da tua janela

 da tua janela 

te escuto respirar
na noite adormecida
se entro pela tua janela

as coisas que te pertencem
se mesclam a mim
quero acordar pássaros
contigo na nova manhã

eu já sei quem eu sou
sei do tanto que erro
ainda insisto te olhar

não vou embora
não vou sumir
só vou respirar
até o amor verter sobre mim

eu quero tentar
quero entender
até o amor verter sobre mim

te escuto respirar
se entro à noite
pela tua janela
as coisas que te pertencem
se mesclam a mim

eu já sei quem eu sou
sei do tanto que erro
ainda insisto te olhar

não vou embora
não vou sumir
só vou respirar
até o amor verter sobre mim

eu quero tentar
quero entender
até o amor verter sobre mim

e acordar pássaros contigo
na nova manhã

wasil sacharuk 



SACHARUK - AVOADA Full - poesia falada spoken word

 SACHARUK - AVOADA 

Uma performance visceral de "spoken word", onde a poesia não é apenas lida, mas habitada. Através de uma sequência de poemas que parecem se fundir uns aos outros, somos levados de um quarto silencioso a florestas estranhas e dunas infinitas. A voz, marcada por pausas precisas e uma cadência quase hipnótica, transforma a audição em uma experiência de imersão.

O Despertar da Alma e o Olhar que Transforma

A obra abre com uma entrega absoluta. O eu lírico descreve o ato de observar o outro como um exercício espiritual e físico. A repetição da frase "até o amor verter sobre mim" (trecho do vídeo/poema) funciona como um mantra de purificação e paciência. É o reconhecimento de quem se sabe errante, mas que escolhe a permanência e a respiração como forma de entendimento.

A performance transita para imagens de uma natureza rica e tátil. Há uma sensualidade latente na descrição das dunas e dos frutos, onde o corpo e a terra se confundem. A citação "Círculos perfeitos de areias silenciosas, brancas e finas" (trecho do vídeo/poema) ilustra essa perfeição geométrica do desejo. A figura da "Rosa Trepadeira" surge como uma presença mística que "habita a estranha floresta", conectando o humano ao selvagem de forma lúdica e profunda.

Um dos pontos altos é a exploração da alma que, antes amarga, agora se encontra aliviada. O uso magistral de aliterações com a letra "A" cria um ritmo de ascensão: "A alma agora admite arrebentar as algemas" (trecho do vídeo/poema). É o momento de virada, onde o peso da "armadura" é abandonado em favor da leveza do voo.

A performance captura as nuances do "gerúndio das vontades", oferecendo um refúgio para quem busca na poesia uma forma de respirar em meio ao caos. É um convite para "desadornar" a alma e encontrar beleza na nudez do ser.

É uma obra sobre paciência, sobre o tempo de maturação dos afetos e a coragem de se deixar levar pela maré. A alma, antes acorrentada, aqui encontra o seu céu: "A alma agora admite arrebentar as algemas".

#PoesiaFalada #WasilSacharuk #LiteraturaBrasileira #SpokenWord #ArteESentimento #PoesiaViva #Cultura #AlmaAliviada #AmorEArte #ResenhaLiteraria



verde de limo

 



verde de limo

tenho sido titubeio
entre vontade e destino
não sou florbelo
também não sou feio
hades com flores no meio
ou apenas poeta menino

sou pedra verde de limo
inerte seguro no freio
desorientado
e com receio

tenho sido o vacilo
precipício e desatino
poeta preso no estilo
tal cavalo no arreio
hoje acabou o passeio
mas ainda sou peregrino

procuro o talento divino
acertar sempre em cheio
descomplicado
e sem rodeio

wasil sacharuk









verve

 verve


larguei minhas rimas por um dia para escrever prosa poética
a dita é mais imagética não levo jeito para isso um enguiço 
e não me surpreende não sou o Celso Mendes
mas isso não me abate pois sou poeta do tipo que liga batatinha quando nasce com tomate e alface
daí não dá briga é só o enlace
poeta que rima tem a rima como guia e a danada é que manda na maldita poesia
coisa de quem considera o leitor
que sempre espera algo além do chavão de juntar amor com dor
coisa sem sabor
a tal prosa poética favorece o fluxo e também o refluxo
e incita uma veia profética meio descabida patética e aflita
talvez um dia a poesia me deixe como peixe fora d'água e eu me abrace com a prosa
mas de rosa não sei falar
nem de deus, carnaval, natal, papai noel e rei momo
o que digo não cabe no céu e nem no mundo abissal
não sou poeta do tipo que escreve o que vive ou que vive o que escreve mas do tipo que junta o arquivo e a verve
é a verve... é a verve

wasil sacharuk






 



coruja

 coruja

nem Capitu
Isaura sequer
Helena nem cogito

olhos literários
brilham por querer
encantam emocionam
são sempre bonitos

e teu olhar de coruja
na poesia ilumina
meu abismo infinito

wasil sacharuk







calos

 calos 

conta uma história linda
sobre as virtudes mágicas
daquelas mulheres antigas
lavadeiras tão trágicas
cantadoiras das cacimbas
sob os calos escondiam 
as linhas das suas mãos
sobre as dores imprimiam
as suas linhas da vida

wasil sacharuk





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