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reforma íntima

 reforma íntima


seja o livre artífice
senhor do próprio destino
escolha o melhor ceticismo
e desmistifique as crenças
porém que não seja cinismo
tampouco traga desavença
não venda falsa esperança 
contra dor e contra tristeza 
mas aniquile o determinismo
pois quem muito crê pouco pensa

wasil sacharuk






farol do vagalume

 farol do vagalume


contornei a casca do mundo
no balão vagabundo
sob o farol do vagalume

vaguei sobre cumes
entre planícies e planaltos
voei bem baixo
voei bem alto

enfim meu amigo
isso não dói
já fui playboy
já sou mendigo
subestimando estimas
desritmando rimas
eu nem ligo

levei apenas um dia
tudo é possível em poesia
a gente inventa de tudo

deitei meu ânimo furibundo
encontrei uma graça
nos vendavais da fumaça

daí companheiro
andei assim
meio chinfrim
meio maneiro
colorindo cores
dolorindo dores
sem paradeiro

wasil sacharuk






rasgando e reunindo

 rasgando e reunindo


percorro a vida a te navegar
águas que pairam
a me refletir
desbravo-te pelo louco querer

teu laço para me desatar
lágrima e o sorriso para me dividir 
rasgando e reunindo o meu ser

wasil sacharuk







sol escorpião

 sol escorpião ☀️


           viola as mucamas 
                  que te servem
        também aos deuses 
                            e diabos
           lambe-os ao fio bruto 
                           das mentiras
                  no leito ejaculado 
                      das coisas ditas

     estende o lençol de cetim
esconde sentenças malditas
                     separa as noites 
             desprovidas de razão
dos dias famintos de coração
para que jamais se encontrem

derruba a parede 
 do imponente castelo
o conto de fadas acabou
melhor não contar outro
pois o sol continua o passeio
pela casa de escorpião
não mora em ti ano inteiro

wasil sacharuk











mana

 mana


mana
uma presença diferente
senti junto a mim
pela noite silente
tocaia da lua minguante
fiat lux no meu abrigo

creias no que te digo
hoje todos viram luzes
por detrás das cruzes
iluminando as pedras
e criaturas estranhas
vindas de outras eras

mana, minhas ideias
são meras quimeras
ou tolices tamanhas
apenas em outras esferas
podem ser entendidas

em nossas distintas vidas
cruzamos as mesmas estradas
paramos nas mesmas paradas
trilhando o curso dos amantes
tão livres
tão claros
e distantes

hoje vi os caminhantes
andando depressa
carregando pastas negras
e via de regra
vi os meninos da vila
que fica aqui ao lado
queimando uma vela
dançando descamisados 
no estacionamento 
do supermercado

mana, um dia ensolarado
estará chamando por nós
com seus raios energizados
quentinhos de felicidade
a secar as poças nas ruas

mas se chegar nova lua
nesse canto da cidade
por onde eu ando sozinho
te direi da necessidade
de contar com teu carinho

wasil sacharuk







chorares

 chorares


moça
acaso chorares dia inteiro
usa meu lenço e meu travesseiro
de pena de ganso

moça
comprarei flores
um lírio-bandeira
perdoa minhas besteiras 
e qualquer contrassenso

moça
podes chorar amores 
os desvelos os desenganos 
os teus medos
teus desencantos

moça
acaso cantares canções do Wando
saibas que eu não ligo
ficarei assoviando um reggae antigo

e acaso não queiras 
mais desmazelos
 fica sempre comigo 
trocaremos segredos
entre amigos

wasil sacharuk







SACHARUK - DETRÁS DAS CRUZES Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - DETRÁS DAS CRUZES 

"Tudo é possível. Em poesia a gente inventa de tudo." ✨

No novo vídeo de spoken word, o poeta Wasil Sacharuk nos guia por um labirinto de emoções e reflexões. Entre lenços de pena de ganso e balões vagabundos, ele nos lembra que somos os artífices do nosso próprio destino.

Detrás das cruzes apresenta uma sequência poderosa de poemas que transitam entre o lírico, o místico e o existencial, sempre acompanhados por uma atmosfera musical que pontua o ritmo das palavras.

Wasil Sacharuk convida o espectador a um mergulho em águas profundas. Através de uma sequência de poemas que exploram desde o consolo afetivo até o ceticismo filosófico, Sacharuk reafirma o poder do spoken word como ferramenta de desconstrução e cura.

Começa com um tom de acolhimento em "Chorares", onde o eu-lírico oferece lenço e travesseiro para as dores do mundo, evoluindo para uma atmosfera mística em "Mana", que fala de luzes por detrás das cruzes e criaturas de outras eras. A obra atinge um ponto de virada crítico em versos que decretam o fim dos contos de fadas, culminando na afirmação da liberdade individual em "reforma intima".

A entrega é visceral, marcada por suspiros e risos que humanizam a profundidade dos temas.

"Moça, acaso chorares dia inteiro? Usa meu lenço e meu travesseiro de pena de ganso."

"Cruzamos as mesmas estradas, paramos nas mesmas paradas, trilhando o curso dos amantes."

"O conto de fadas acabou. Melhor não contar outro."

"Percorro a vida a te navegar. Águas que pairam a me refletir."

"Tudo é possível. Em poesia a gente inventa de tudo."

"Seja o livre artífice, senhor do próprio destino. Pois quem muito crê pouco pensa."

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SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...