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récita V

récita V

não me fales
da perfeição
sequer das ruínas
eu as sei
se sou fênix
a reunir resistências
ruínas contam
memórias das coisas
meus significados são coisas
eu sou coisa
que nem mesmo sei

,........

galga indomada
potra sem cilha
estribo ou sela
ancas escarranchadas
galopa desenfreada
corpo afora

.............

o benquererte
testou a complacência
da maré
desafiou a liberdade
do grande oceano
mergulhou os pés
à margem dos enganos
e o rio provou o revés
engoliu a foz
estourou os canos

wasil sacharuk







âmago

 âmago


és a presa
eu o demônio
meu hálito vermelho
invade tua boca
contra tua vontade
tão indefesa

da textura que te veste
ao âmago do etéreo 
a tudo fiz meu
tudo!

tua alma
teu útero 
é meu!

wasil sacharuk







negra

 não digas nada (negra)


preciso mergulhar aos confins
 desse olhar diamante
estender uma ponte
unindo nossas pupilas,

não digas nada
negra

deixa-me querer
nada é impossível 
as três da manhã
ainda despencam 
pétalas das hastes

visito os ninhos
das garças estabanadas
pelas rotas abandonadas
pelos dias que passam
 batendo as asas

preciso tuas mãos frias
sobre minha fronte
ver tuas ancas
 serpenteando dilemas
salvando meus sonhos

não digas nada
negra

agora sozinho
no escuro das estradas
pelas noites devastadas
os camaradas passam
e não dizem nada

preciso tuas mãos frias
sobre minha fronte
e não digas nada
no meu último dia,
negra

e não digas nada

nada

wasil sacharuk








navegantes do escuro

navegantes do escuro

pairam estranhezas
ofuscantes tal lampião
navegantes do escuro

voam soturnas
até quando
despencarem manhãs
secarem ao sol
fluídos do amor
no velho lençol

sobrevoam estranhezas
sobre as cabeças
borboletas falenas
mais de cem
as conheces tão bem

e aos nossos pés
navegam desengonçadas
difusas crenças

esperamos tanto
pela noite alucinada
para dançar e dançar
divertir pirilampos

e tu danças
eu canto
alto
no céu
por ti

se aqui
ninguém entende
o que sentes
ninguém pensa
o que sinto

mas sabemos colorir
as amarguras impressas
nas paredes sem cor

e tu cantas
eu danço
alto
no céu
por ti

se aqui
não há lugar
para andar sem destino.


wasil sacharuk








chuva suave

 chuva suave 


no inverno
tão pouco chovias
sobre as igrejas
           só gotas frias

nas arenas
ruínas
chuva fina
chuva suave 
          só gotas frias

          só gotas frias
chuvas confetes
serpentinas
canivetes

não apresses o raio 
suave chuva 

non correre il raggio
pioggia gentile

que tua melodia
            seja livre

e nos dias
carentes
de poesia
viveste a ira
imponente dos raios

o céu
com poeira de estrelas
traçou outras linhas
horizontes do eu
pioggia gentile
chuva minha

que tua melodia
           seja livre

que tua melodia
           seja livre

wasil sacharuk







onde dorme oceano


 onde dorme oceano


onde dorme oceano
o vasto manto abraça
sou abduzido na dança
e não nego
quando dizes
te levo

te levo suavemente
te levo repousar na vertente
te levo onde dorme oceano

voar soberano sem rota
eu voo leve gaivota
costa do mar

lá enroscam fios de cabelos
aos cachos costa do mar

onde dorme oceano
o vasto manto abraça
sou abduzido na dança
e não nego quando dizes
te levo

te levo suavemente
te levo repousar na vertente
te levo onde dorme oceano

wasil sacharuk












SACHARUK - FALENAS Full - poesia falada spoken word

 SACHARUK - FALENAS

FALENAS transita entre o lírico e o sombrio, explorando a dualidade entre a entrega suave e a dominação psicológica. Abaixo, você encontra a resenha jornalística e os posts prontos para suas redes sociais.

 Em uma performance que desafia a complacência da maré, Wasil Sacharuk mergulha nas profundezas do "eu" para entregar uma obra onde a suavidade do oceano encontra a crueza de demônios internos.

O vídeo apresenta uma narrativa em camadas. Começa com uma entrega quase hipnótica ("Te levo suavemente"), onde o oceano serve como um manto protetor e abduz o eu lírico em uma dança sem negação. No entanto, o clima transmuta para um cenário de inverno e ruínas, onde a chuva não é apenas água, mas "confetes, serpentinas e canivetes". O tema central é o confronto: entre a melodia livre e a ira imponente dos raios; entre a presa indefesa e o demônio de hálito vermelho. Sacharuk explora a "linguagem do limite", aquela que nasce quando a carne aprende a não confiar.

"Onde dorme o oceano, o vasto manto abraça, sou abduzido na dança e não nego."

"Que tua melodia seja livre... viveste a ira imponente dos raios."

"O desprezo é uma forma de dança, um diálogo. O diálogo do não."

"O riso é a cicatriz que ainda respira."

"És a presa, eu o demônio, meu hálito vermelho invade tua boca contra a tua vontade."

 Sacharuk não se contenta com o óbvio; ele arrasta o espectador para o "âmago do etéreo", onde a beleza e o horror coexistem. É uma performance sobre o poder da palavra em ferir e curar simultaneamente.

"O desprezo é uma forma de dança, um diálogo. O diálogo do não." 🌊🔥

"O riso é a cicatriz que ainda respira." ✨

Prepare-se para um encontro visceral com a poesia que não pede licença para entrar. Assista ao vídeo completo e sinta a força dessa melodia livre.

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SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...