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laranjeira

 laranjeira


laranjeira
brota verde faceira
semeada ao acaso
porém cresce pequena
cultivada em vaso

eu queria dar a ela
um reino do grande prado
para que vingasse inteira
ao som do silêncio absurdo
e um amor de sina campeira
para benzer os seus frutos

wasil sacharuk





mãos dadas

 mãos dadas


Alice estava certa
dez graus nessa manhã
esfrego as mãos geladas
mas deixo as portas abertas
nossa cidade ainda dorme
o velho trem corta a estrada

o bentevi na árvore 
quebra a calada da aurora
diz qualquer coisa bonita
conta heroísmos ao sol
e nós colhemos bergamotas
jambolões e butiás 
nos pomares do amor

de mãos dadas vou agora
pois eu andava cego
ela sabe que preciso
aconchegar meus medos
no seu peito

com a bênção do padre
e da senhora mãe das águas
até penso nesses tempos
em repensar certas crenças
talvez quebrar paradigmas
escrever novas histórias

e se ela disser sim
aos pedidos do mar
percorrerei plenitude
pelo sol iluminado
assim serei mais humano
abrirei as janelas
para a rua de pedra

de mãos dadas vou agora
pois eu andava cego
ela sabe que preciso
aconchegar meus medos
no seu peito

Alice estava certa
a ressaca tomou a praia
céu nublado em Rio Grande
mas o amor acalenta
e seus alofones de mel
cantam ao minuano
num canto extremo do sul
o outono leva as folhas 

de mãos dadas vou agora
pois eu andava cego
ela sabe que preciso
aconchegar meus medos
no seu peito

wasil sacharuk








água elemento

  água elemento


confessa à lua azul
insólitos desejos
se nenhum segredo
teu mar desconhece

és fluidez nas águas
deságuas pela afluência
ao encalço das revoadas
se nada
teu mar desconhece

passeias pelo céu
deitada numa canoa
a espelhar as gaivotas
se nenhuma resposta
teu mar desconhece

navegas à margem
do mundo inteiro
as águas envolvem
bolinam montanhas
nos desfiladeiros

onde banhas teus seios
para soltar a areia
logo que amanhece

sequer meus anseios
teu mar desconhece

wasil sacharuk





ana e os pombos

 Ana e os pombos


trago versos
em sementes de paz
imaculadas
se nao abarcar meus avessos
eu sou nada
além da poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

das questoes lanço sementes
aos pombos da paz e da pedra
vislumbro imagens da sorte
no vácuo entre vidas e mortes

procuro caminhos à senda
detrás dos traços aparentes
alma que clama faminta e urgente
por um universo que a entenda

quero saber os conceitos
conhecer os normais
e as fadas
tenho braços abertos
mas nao sou alada
apenas sou poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

o percurso das vidas é o mote
que me faz viva e forte
na fonte dos dias de contendas
conflitos de espécies diferentes

em cada aurora sigo em frente
já aprendi que nem sempre se acerta
que no aço afiado reside um corte
e nem todo louco é o Dom Quixote

estendo laços convexos
dou meu pao aos animais
nativos da minha calçada
de rumos incertos
e alma libertada
a colorir poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

quero capturar o signo das lendas
assim entender os desígnios da gente
encontrar as razoes do que se sente
imprimir um sorriso na alma serena

para me recriar poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

wasil sacharuk








lanterna dos luminares

 lanterna dos luminares 


aprende !
meu garoto
observa o poeta a declinar
 golpes de sensibilidade 
na completude do vazio

escuta versos repletos de silêncio 
escuta a música
 das águas do rio

entende 
meu gafanhoto
é preciso domesticar a dor 
e transmutá-la no peso morto 
que despenca da colina 
e esvanece na distância

e a poesia....

poesia se funda no dom 
de ver através da neblina 

sob a lanterna dos luminares

sente teu corpo
meu gafanhoto enquanto danças
em cascatas e desatinos

eis que no abismo das ânsias
as tuas escolhas 
serão sempre caminho

aprende!
meu gafanhoto

wasil sacharuk 









guia de pilotagem

 guia de pilotagem


voar é talento 
de passarinho
já sai do ninho
batendo asas
ensaia rasantes
entre as casas

voar é desejo
de poeta
subverte as letras
inventa palavras
mísseis errantes
flechas aladas

voar é mania
de maluco
inconsequente 
lançado às favas
decola imprudente
livre de amarras

que nem borboleta

wasil sacharuk










SACHARUK - GUIA DE PILOTAGEM Full - poesia falada spoken word

SACHARUK  - GUIA DE PILOTAGEM 

O Voo e a Raiz: A Jornada Sensorial na Poesia de Wasil Sacharuk

Em uma performance que mescla a crueza da voz com a delicadeza das imagens cotidianas, o poeta Wasil Sacharuk nos convida a subverter as letras e inventar novos mundos através do spoken word.

GUIA DE PILOTAGEM apresenta uma sequência de poemas que funcionam como capítulos de uma busca pela identidade. O tema central é o "voar" — não apenas como movimento físico, mas como um "desejo de poeta" que subverte a lógica e a prudência. Sacharuk transita entre a vastidão do mar, o frio de uma manhã de 10 graus em Rio Grande e a imagem contida de uma laranjeira em um vaso.

Os principais temas abordados incluem:

A Liberdade e o Risco: O ato de voar é descrito como talento, desejo e mania, sempre livre de amarras.

A Aprendizagem da Dor: O poeta assume o papel de mestre e aprendiz ("aprende, meu gafanhoto"), ensinando a domesticar a dor e transmutá-la em poesia.

A Conexão Humana: A presença de "Alice" traz um porto seguro, onde o amor acalenta e permite "aconchegar os medos".

"Voar é desejo de poeta. Subverte as letras, inventa palavras."

"A poesia se funda no dom de ver através da neblina."

"Se não abarcar meus avessos, eu sou nada além da poesia."

"Ela sabe que preciso aconchegar meus medos no seu peito."

 Wasil Sacharuk humaniza o abstrato. Ele não entrega apenas versos, mas uma experiência de "ver através da neblina", transformando contendas diárias em "sementes de paz".

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SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...