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máquina

   máquina

pinga respinga
repica espirra replica
as águas varrem
martelam a terra
esculpem as pedras
murmuram marés
cinzentas de ocasos

a máquina de fazer chuva
 pode acionar as torrentes
derramá-las dos vasos
expulsá-las dos canos
entorná-las dos cântaros
 inflar oceanos
encher a concha das mãos

wasil sacharuk











sufoco do tempo

 sufoco do tempo


o tempo
anda perdido do tempo
sufoca nas ruas silentes
sucumbe ao assopro do vento
satura quarenta porcento
precisa ser intubado
repassa cenas do passado
escuta vozes distantes
perambula claudicante
dorme na rua cansado
 morto-vivo ao relento

wasil sacharuk












águas claras

  águas claras

A maré é o desejo da lua
Gela a alma coesa em cristais
Utópicas moléculas espúrias
Águas sujas em mananciais
Sequestradas das bocas das ruas

Claras não são sempre as águas
Lacrimais vertentes de oceano
As ondas empurram as mágoas
Ribeirões estouram os canos
As correntes somente deságuam
Seus latentes instintos insanos

wasil sacharuk






gotículas de sal

 gotículas de sal


epístolas do mal
tendes clemência de nós
os fiéis e os descrentes
ontem era só moral
mas agora é diferente

perdi a clareza da visão
prendi a consciência na cela
conquistei a cegueira da razão
a noção caiu pelas tabelas 

canícula e sol
que não queimem a nós
no fogo incandescente
ontem era tudo normal
mas agora o mundo sente

aprendi que chorar é bom
então quero chorar oceano
choro até se ouço o som
do choro que canta
o desprezo humano

gotículas de sal
derramadas de nós
renascente nascente
hoje terá temporal
e logo terá enchente 

wasil sacharuk









sol ensimesmado

 sol  ensimesmado 


o sopro da noite
destrava a cancela
do cavalo confinado
bicho selvagem alado
em disparada cabal
atravessa o açude

amiúde
a lua se vinga
mas nunca desama
abraça a luz que encanta
quando o sol
fica ensimesmado
a respirar as palavras
a suspirar os sentidos

o vento da noite abana
as águas que banham
os pés delicados
tilinta o cristal
e os lindos sapatos
decolam pelo ar

apesar
que a lua mingua
e nunca desmancha
é risco de luz que avança
quando o sol
fica lá do outro lado
a respirar as palavras
a suspirar os sentidos

wasil sacharuk








clichê de outono

  clichê de outono

eles passam sequer reparam
a folha seca flanando suave
quando despenca da árvore

maldizem a noite de frio
os pingos gelados da chuva
praguejam ao contratempo
das mudanças de temperatura

não veem que o outono é feito
com nuanças de poesia
e tons sépia de cura
que o silêncio da melancolia
convida a dançar na rua

wasil sacharuk





SACHARUK - SUFOCO DO TEMPO Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - SUFOCO DO TEMPO 

O Outono da Alma e as Águas do Sentimento: Uma Jornada por Wasil Sacharuk

Em uma performance que transborda sensibilidade, o poeta Wasil Sacharuk utiliza a metalinguagem da natureza e do tempo para explorar as profundezas da condição humana, entregando uma experiência de spoken word que é, ao mesmo tempo, um desabafo e uma cura.

SUFOCO DO TEMPO é uma colagem de poemas que orbitam temas como a passagem do tempo, a dor, a natureza (especialmente a chuva e o outono) e a busca por sentido em um mundo que parece ter perdido a "clareza da visão". Sacharuk inicia com uma ode ao outono, criticando a pressa de quem não vê a beleza na folha que cai, e transita para reflexões mais densas sobre a moralidade, o choro ("quero chorar oceano") e a solidão urbana.  Há um contraste interessante entre a suavidade da "folha seca flutuando" e a força da "máquina de fazer chuva" que encerra a sequência.

"Não veem que o outono é feito com nuanças de poesia e tons sépia de cura."

"Aprendi que chorar é bom, então quero chorar oceano."

"O tempo anda perdido do tempo, sufoca nas ruas silentes."

"A máquina de fazer chuva pode acionar as torrentes... encher a concha das mãos."

SACHARUK transforma sentimentos abstratos em imagens concretas e táteis. É um convite para parar, respirar e permitir que a melancolia, em vez de nos paralisar, nos convide a "dançar na rua".

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SACHARUK - HERESIA Full - poesia falada spoken word

SACHARUK - HERESIA  Em um mundo saturado de ruídos, o poeta Wasil Sacharuk utiliza o silêncio e a modulação vocal como ferramentas de constr...