navegantes do escuro

navegantes do escuro

pairam estranhezas
ofuscantes tal lampião
navegantes do escuro

voam soturnas
até quando
despencarem manhãs
secarem ao sol
fluídos do amor
no velho lençol

sobrevoam estranhezas
sobre as cabeças
borboletas falenas
mais de cem
as conheces tão bem

e aos nossos pés
navegam desengonçadas
difusas crenças

esperamos tanto
pela noite alucinada
para dançar e dançar
divertir pirilampos

e tu danças
eu canto
alto
no céu
por ti

se aqui
ninguém entende
o que sentes
ninguém pensa
o que sinto

mas sabemos colorir
as amarguras impressas
nas paredes sem cor

e tu cantas
eu danço
alto
no céu
por ti

se aqui
não há lugar
para andar sem destino.


wasil sacharuk








chuva suave

 chuva suave 


no inverno
tão pouco chovias
sobre as igrejas
           só gotas frias

nas arenas
ruínas
chuva fina
chuva suave 
          só gotas frias

          só gotas frias
chuvas confetes
serpentinas
canivetes

não apresses o raio 
suave chuva 

non correre il raggio
pioggia gentile

que tua melodia
            seja livre

e nos dias
carentes
de poesia
viveste a ira
imponente dos raios

o céu
com poeira de estrelas
traçou outras linhas
horizontes do eu
pioggia gentile
chuva minha

que tua melodia
           seja livre

que tua melodia
           seja livre

wasil sacharuk







onde dorme oceano


 onde dorme oceano


onde dorme oceano
o vasto manto abraça
sou abduzido na dança
e não nego
quando dizes
te levo

te levo suavemente
te levo repousar na vertente
te levo onde dorme oceano

voar soberano sem rota
eu voo leve gaivota
costa do mar

lá enroscam fios de cabelos
aos cachos costa do mar

onde dorme oceano
o vasto manto abraça
sou abduzido na dança
e não nego quando dizes
te levo

te levo suavemente
te levo repousar na vertente
te levo onde dorme oceano

wasil sacharuk












SACHARUK - FALENAS Full - poesia falada spoken word

 SACHARUK - FALENAS

FALENAS transita entre o lírico e o sombrio, explorando a dualidade entre a entrega suave e a dominação psicológica. Abaixo, você encontra a resenha jornalística e os posts prontos para suas redes sociais.

 Em uma performance que desafia a complacência da maré, Wasil Sacharuk mergulha nas profundezas do "eu" para entregar uma obra onde a suavidade do oceano encontra a crueza de demônios internos.

O vídeo apresenta uma narrativa em camadas. Começa com uma entrega quase hipnótica ("Te levo suavemente"), onde o oceano serve como um manto protetor e abduz o eu lírico em uma dança sem negação. No entanto, o clima transmuta para um cenário de inverno e ruínas, onde a chuva não é apenas água, mas "confetes, serpentinas e canivetes". O tema central é o confronto: entre a melodia livre e a ira imponente dos raios; entre a presa indefesa e o demônio de hálito vermelho. Sacharuk explora a "linguagem do limite", aquela que nasce quando a carne aprende a não confiar.

"Onde dorme o oceano, o vasto manto abraça, sou abduzido na dança e não nego."

"Que tua melodia seja livre... viveste a ira imponente dos raios."

"O desprezo é uma forma de dança, um diálogo. O diálogo do não."

"O riso é a cicatriz que ainda respira."

"És a presa, eu o demônio, meu hálito vermelho invade tua boca contra a tua vontade."

 Sacharuk não se contenta com o óbvio; ele arrasta o espectador para o "âmago do etéreo", onde a beleza e o horror coexistem. É uma performance sobre o poder da palavra em ferir e curar simultaneamente.

"O desprezo é uma forma de dança, um diálogo. O diálogo do não." 🌊🔥

"O riso é a cicatriz que ainda respira." ✨

Prepare-se para um encontro visceral com a poesia que não pede licença para entrar. Assista ao vídeo completo e sinta a força dessa melodia livre.

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beat eloquente

beat eloquente 


andei e não cheguei
a lugar algum

feito um caetano
há tantos anos
  perdi o lenço
os documentos
agora espero 
que o tempo vente

metabolizo poesia
e decerto não poderia
fazer diferente
não me leves a mal
meus óculos de grau
precisam de lentes

estive em busca de mim
e no fim
estive ausente
andei de frente para trás
andei de trás para frente

acho que sei
como funciona
o processo da mente
que agrega valor
e arquiva seus bytes
em rabiscos de amor
num beat eloquente

andei e não cheguei
a lugar algum

na última vez que veio ao sul
meu saudoso amigo raul
baixou no meu terreiro
bebeu da minha marafa
e ainda roubou meu isqueiro

está circunscrito
na estrofe inicial
e nas subsequentes
eu não vivo aflito
acho tudo normal
e me dou por contente

wasil sacharuk



estranhamento

estranhamento 

preciso que a poesia
imersa no estranhamento
me conte as novidades
eleve meu autoconhecimento
me afaste da minha rotina
duvide das minhas verdades
desvende o extraordinário
garimpado entre as latrinas
dispare flashes aleatórios
em camadas de significados
talvez uma palavra inusitada
 talvez um toque surpreendente

wasil sacharuk 






 

récita IV

 récita IV



019

há uma linguagem
de quem compreendeu
que o amor não é escolha
é geografia do corpo
é o lugar onde se nasce
sem ter pedido para nascer

os demônios nos ombros
as flores órfãs
o elefante de patas longas
caminha sobre os sonhos

pois o que toca
é essa confissão final
essa urgência em sangrar
para não enlouquecer
de ser quem se é

porque a ferida
é o único lugar
onde a gente ainda respira
quando tudo mais sufoca

wasil sacharuk


020

ouço a voz que se desdobra
primeiro ferida
depois néctar
depois o sangue que salva
é a voz de quem conhece
o peso exato da contradição
de quem habita simultaneamente
a recusa e o desejo
a morte e a ressurreição

reconheço o ritmo que pulsa
quando o corpo aprende
que amar é uma loucura necessária

wasil sacharuk


021

meus demônios habitam meus ombros
como corvos que conhecem meu nome
observam-me devorar espinhos
quando a revolta queima por dentro
o céu chove chumbo
o ouro que brilhava nos olhos vira cinza
eu grito para que meu próprio eco
me confirme vivo
meus demônios quando sorriem
minha fúria se dissolve
sentam-se comigo
pequenos e estranhos
para escutar o canto selvagem
que brota de minhas entranhas

wasil sacharuk


022

dança
mas não a dança graciosa
dança entre as flores apodrecidas
entre as raízes que se enroscam
em umbrais esquecidos
entre as chamas que consomem tudo
cobriremos de concreto o que era verde
e os pássaros levarão suas sementes
para o túmulo esquecido

wasil sacharuk






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